A reprecificação do Bovespa

Estou em meio a mais uma viagem de ônibus para o devido cumprimento das minhas obrigações profissionais, aproveitarei um pouco deste tempo num artigo:

Este gráfico que criei traz os marcadores fundamentalistas mutáveis por preço que acompanho. No caso, Cyrela, desde janeiro de 2010.

Logo de cara pode-se extrair que COTAÇÃO NÃO QUER DIZER NADA!

E quando digo nada, é nada mesmo. Não converge nem com preço e nem com valor, trata-se apenas de um número aleatório definido pelo ofertante original que permita a livre negociação do veículo financeiro.

Um iniciante empolgado poderia afirmar “tá barato”, ao observar exclusivamente a cotação,  visto que esta encontra-se em um número mais baixo do que aquele do início de 2015. Não obstante, um sujeito experimentado e escaldado pode perceber uma clara sobrevalorização nas ações da Cyrela, observando seu P/L e seu EV/EBITDA, num patamar que não se via desde dezembro de 2012.

Alguns que observaram o compilado, pode reparar que o P/VPA encontra-se nas mínimas do período coberto; e de fato está.

Portanto, sob essa ótica, poderíamos estar diante de uma barganha? 

Seria correto pensar: “uau, 36% de desconto nos ótimos terrenos e apartamentos da Cyrela!”?

Evidente que não!

O indicador P/VPA não serve de nada ao ser analisado isoladamente. Essa afirmação fantasiosa do parágrafo acima pode nos levar a crer que comprar ações de empresas nos torna dono delas, como sempre os especialistas repetiram para nós. Não é verdade! Comprar ações nos dá ALGUNS poucos direitos sobre a empresa, entre eles obviamente não estão inclusos o enceramento das atividades da empresa. Num simples resumo: não vão vender todos os ativos e encerrar a empresa, te repassando a sua parte, porque você encontrou forte desconto nesse indicador, campeão.

Temos um fato: P/VPA descontado.

Temos um segundo fato: não vão te repassar esse desconto.

Temos um terceiro fato: não há a obrigação desse indicador convergir para a sua média histórica ou atingir o numeral 1.

Agora teríamos suposições a fazer sobre eles…

E eu poderia percorrer dezenas de parágrafos com elas, a santa da minha namorada bem sabe (sofre) com minhas elocubrações  sobre investimentos, mas farei melhor; segue:

Esse gráfico expõe a realidade da empresa com uma simplicidade ímpar: ela gera cada vez menos lucro sobre um patrimônio líquido cada vez maior. Fim!

Some 1 + 1!

Por que alguém pagaria mais por um patrimônio que é ineficiente para gerar lucro? Estamos na pior faixa de ROE da história da Cyrela. Não tem desconto sobre o patrimônio coisa nenhuma! O que temos é a boa e velha lei do mercado se ajustando a nova realidade da empresa.

Sim, eu poderia adicionar receita bruta, líquida, EBITDA, EBIT, suas margens todas, a relação entre receita e despesas, ROIC, Índice de Eficiência e etc, mas suprimi. O bendito do ROE conta essa história sozinho pra gente.

Neste momento temos uma ação sobreavaliada, cujos preços, baseados em expectativas, saltou à frente dos fundamentos e estes não deram o menor sinal de melhora.

Eu não colocaria meu dinheiro novo aqui nesse momento, na verdade, estou desejando vendê-la num futuro próximo, caso esse descasamento entre preço/valor continue.

Por outro lado, os dados extraídos dos relatórios das empresas contam sempre sobre o passado, não sobre o presente, nunca sobre o futuro.

Será que teremos boas novidades no campo fundamentos? Saberei em atraso, nos próximos resultados trimestrais.

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